“War Horse” (2011)

Dezembro 31, 2011

ImagemVi a aclamada peça de Nick Stafford, e amei!. Li o roteiro de Richard Curtis e Lee Hall antes de ir ao cinema. E, embora nunca tenha lido o livro de Michael Morpurgo que deu origem tanto a peça quanto ao filme, sei que “War Horse” é uma obra da literatura infantil. 

Honestamente, fiquei surpreso quanto li algumas criticas negativas sobre o filme de Spielberg. Achei de puro mau gosto que alguns criticos tenham comparado esse filme com o resta da obra do cinesta. Bem, o sentimentalismo tem sempre sido marca nos filmes do diretor de “E.T.” E, em “War Horse”, me senti conquistado pela emoção. Melhor dizer que me rendi a essa emoção em vez de tentar questionar as minhas próprias reações emocionais. 

ImagemO filme começa no seio de uma família de agricultores. O pai (Peter Mullan) é um falido veterano de guerra, tentando ter sucesso como agricultor. Enquanto isso, seu filho Albert (Jeremy Irvine) rapidamente cria um vínculo com um cavalo chamado Joey, que foi comprado para ajudar a familia na agricultura. Com o advento da guerra, o pai, desesperado por dinheiro vende Joey para o exército britânico. Albert, que é muito jovem para se alistar, sofre com a idea de perder Joey, mas o capitão Nicholls  (Tom Hiddleston) – que muito faz lembrar do capitão Ashley Wilkes, de Leslie Haward, de “ E o Vento Levou”-,  assegura ao garoto que ele vai tomar conta do cavalo e trazê-lo de volta no final da guerra. Esta é apenas a primeira de várias vezes que Joey vai mudar de proprietários no decorrer no narração.

ImagemO retrato de devastação da Primeira Guerra Mundial é vista através dos olhos Joey.  Com uma encarnação mítica, quase sobrenatural, o cavalo tem grandes qualidades: leal, nobre, determinado e forte. No entanto, Joey não é apenas esse vaso simplista de valores universais, ele é também, às vezes teimoso, e obstinado. Tem seus momentos de grandeza, mas também seus momentos de fraqueza e medo da perda. Por exemplo a sequência mais comovente do filme é justamente uma que ilustra Joey correndo bravamente e assustado, em meio aos campos de batalha, no norte da França.  Ah, as cenas de batalha são lindamente bem feitas, mas sem serem graficamente sanguentas como as que Spielberg fez em “Resgate do Soldado Ryan”. Aqui, nenhuma gota de sangue é derramada, pois Spielberg respeita o público mais jovem, nos fazendo focalizar tudo sobre o ponto de vista de Joey.  

ImagemSpielberg reúne um bom alenco britanico, David Thewlis, Emily Watson, David Kross (de “O Leitor) e Eddie Marsan, apenas para mencionar uns poucos, porém nenhum desses atores se destacam. Todos tem boas atuações, mas não me importei com suas personagens. O novato Jeremy Irvine cresce no decorrer da projeção do filme, mas mesmo assim, não oferece nada de tão especial. Também achei uma chatice o avô feito por Niels Arestrup, que tem a mesma cara da sua personagem em “Un prophète” (2009), e de sua neta adolescente Emilie (Celine Buckens). O personagem que mais gostei, o capitao feito por Tom Hiddleston, morre logo no inicio do filme. 

Mas isso não dimini as qualidades de “War Horse”, pois a verdadeira estrela é o cavalo — ou melhor, os cavalos que interpretam Joey, em que o foco permanece apesar de alterar as configurações e outros personagens vêm e vão, muitas vezes tragicamente. Os treinadores de animais faziram um trabalho realmente magistral ao transmitir a personalidade, emoções e pensamentos do belo cavalo. E, isso é também muito mérito do fotografo Janusz Kaminski!

ImagemEste ano, muitos cineastas têm olhado com carinho para o passado em busca de inspiração. Scorsese celebra o nascimento do cinema em “Hugo”; Michel Hazanavicius homenageou a transição do cinema mudo para o falado em “The Artist”, e para não ficar de fora, Spielberg remete a um modo antigo de cinema – mais do que qualquer filme do cineasta fez na década passada, “War Horse”, incorpora as características do grande cinema clássico de Hollywood, incluindo uma citação visual de “E, o Vento Levou…”, nos segundos finais do filme. Fiquei todo arrepiado, até deu uma vontade de ver Scarlett O’Hara ali com um punho erguido prometendo nunca mais sentir fome novamente.  Emocionante!!

Há um bom tempo, venho escutando a belissima trilha sonora de John Williams. Achei que no filme, as faixas são excessivamente tocadas, mas embaixam essa proposta do cinema clássico de Hollywood, que Spielberg homenageia!. “War Horse” não é o melhor filme de Spielberg, e nem está na minha lista entre os 10 melhores filmes que assisti esse ano, porém o mesmo me envolveu tanto que quero ve-lo novamente na tela grande!. Sua cara de Oscar vem lhe rendendo criticas negativas, mas se ganhar – o que acho impossivel-, pode ser uma maneira muito boa de homenagear o passado!  

Nota 8.5

“Hugo” (2011)

Dezembro 20, 2011

ImagemScorsese faz um ode de amor ao cinema clássico no seu novo filme, “Hugo”- um conto de fantasia com uma pequena dose de comédia. Filmado notavelmente em 3-D, e expandido por imagens computadorizadas, “Hugo” é baseado na novela grafica de Brian Selznick, “A Invenção de Hugo Cabret”, com roteiro de  John Logan, que roteirizou o chatissimo “The Aviator” ( 2004).

ImagemO filme se passa nos anos 30, em uma estação de trem em Paris, onde um jovem órfão chamado Hugo Cabret (o extraordinario Asa Butterfield), vive secretamente dentro da máquina que mantém os relógios da estação em execução. Nenhum outro filme envocou em tal complexidade as rodas, manivelas, alavancas, catracas e engrenagens, tudo acoplado a um conto de perda, saudade, mistérios revelados e felicidade reconquistada.

ImagemO cineasta abraça as imagens de efeito digital, e Paris nunca pareceu tão bela, e tão falsa em movimentos de câmera 3D. Falo assim pois ainda não cai de amores a esse tipo de linguagem em 3D, mas tudo bem, o filme tem muito mais qualidades do que defeitos. Scorsese teve uma irresistível oportunidade, não só para fazer um filme para crianças e adultos, mas para compartilhar sua paixão pela história do cinema. Isto porque a história de “Hugo” leva ao pioneiro do cinema Georges Méliès ( Ben Kingsley)-  que é também o proprietário da loja de brinquedo, o qual coloca Hugo em apuros. Também, Hugo tem que enfrentar o inspetor da estação interpretado por Sacha Baron Cohen, que quase rouba todas as cenas que aparece. Mas a aventura acontece mesmo quando Hugo se torna amigo de Isabelle (Chloe Moretz). Ambos desfrutem a paixão pelo cinema, e pelos descobrimentos que os levam até Georges Méliès.

A potência temática e o virtuosismo cinematográfico da produção de arte de Dante Ferretti e da fotografia linda de Robert Richardson, são um show a parte, embora Paris tenha aquela aparência brilhantemente falsa. E, Howard Shore escreveu uma trilha muito agradavel!.  

Imagem“Hugo” é um filme que depois de vê-lo uma vez eu não preciso vê-lo novamente. Eu aprecio a paixão de Scorsese, sou fã dele, e creio que se o Oscar não fosse uma premiação tão politica, ele deveria ganhar o premio de melhor diretor do ano!. Bem,  “Hugo” traça esse paixão pelo cinema, mas no final senti que a história geral deu lugar a essa paixão e um pouco da magia se perdeu. Não porque o filme não seja maravilhoso, pois é muito bom, mas seria melhor se fosse tão longo!.

 Nota 8,5

 

“J. Edgar” (2011)

Dezembro 20, 2011

ImagemJ. Edgar Hoover era gay? Será que o seu amigo, Clyde Tolson era gay? Será que eles tiveram uma estreita amizade ou era algo mais? Talvez estas perguntas são a chave para entender o novo filme de Clint Eastwood.Se eu posso definir o que exatamente o filme J. Edgar é, eu deria que é a história da relação do diretor da FBI, com o seu amigo Clyde Tolson e o desprezo de ser desaprovado por sua mãe. É uma história de um homem em todas as frentes com as barreiras que ele deve superar para fazer qualquer coisa, mas a parede que ele nunca foi capaz de romper foi o que lhe permitiria finalmente aceitar Tolson como um amante e não apenas como um bom amigo. Pena que tudo isso é apresentado de tal forma, sem sentido, e, finalmente, coloca menos ênfase sobre o que poderia ser considerado aspectos mais interessantes da vida Hoover.

” J.Edgar ” tem algo de “ Brokeback Mountain” (2005), e “ O Discurso do Rei ( 2010), mas a única diferença é que a amizade entre o rei George VI e seu terapeuta parecia uma amizade de verdade, assim como o amor dos cowboys em Brokeback Mountain. Esses filmes tinham uma história para contar, e não uma dica e, assim se esconder como Eastwood e o roteirista Dustin Lance Black faz. Não há uma evidência histórica concreta sobre a homosexualidade Hoover, mas sugere demais sem ser sutil, pois muito poderia ser dito em um olhar, mas revela demais, e não soa verdadeiro, quando tenta “dizer” que Hoover era um homossexual enrustido e até um cross- dresser !. 

ImagemEastwood conta a história de Hoover em uma narrativa fraturada, traçando mais de 5 decadas. O filme desnecessariamente vai e volta entre estas datas com Hoover recitando as suas memórias, contando as vitórias do passado e construindo a história para se adequar a sua imagem. Por que Eastwood não apenas narrou o filme de forma linear? E por que, ele não contratou atores para viver Hoover e Tolson nas suas versões mais velhas, em vez de transformá-los em caricaturas de espuma de borracha?

ImagemLeornardo DiCaprio realmente se entrega ao personagem- mesmo com a maquiagem exagerada, ele se sobressai com dignidade, mas o mesmo não diria do competente Armie Hammer, que alem da borracha na cara, exagera na tremedeira!. Ja Naomi Watts tem o desempenho mais convincente do filme, e oferece um personagem com mais perguntas a serem feitas. Quem foi essa mulher que dedicou sua vida inteira a carreira profissional, nunca se casou e ficou com Hoover até a sua morte? O filme não se preocupa em responder a estas perguntas, mas talvez o desempenho Watts nunca foi feito para ofuscar todos os outros. E, detalhe, a sua maquiagem é a unica que parece natural!

Eastwood e o diretor de fotografia Tom Stern, mais uma vez usam os tons de cinza de aço, limitando a quantidade de cores no filme-  escuro demais!. O diretor também continua escrevendo a trilha sonora para os seus filmes, aqui usa tons suaves de piano, assim como temos ouvido em praticamente todos os filmes que ele compôs sozinho, e acrescenta mais um aspecto negativo em “J. Edgar”, dando ao seu filme uma alma cansada e preguiçosa. A edição também é uma outra bagunça. Mas sera que se os editores Joel Cox e Gary D. Roach tivessem cortado 40 minutos do filme, o mesmo ficaria menos chato? Não sei não…

No final, “J. Edgar” é um filme que apresenta uma falta de confiança enorme, mas mesmo assim pode dar o Oscar de melhor ator a DiCaprio!. Ele merece mesmo que vença por um filme ruim!

Nota 5

“Drive” (2011)

Dezembro 20, 2011

ImagemO triunfo do filme de Nicolas Winding Refn, se chama Ryan Gosling, que mais uma vez se transforma. O cara não erra uma, por examplo, este ano Gosling igualmente brilha na comedia “Crazy, Love, Stupid”, e  “The Ides of March”, mas é  por “Drive” que ele deveria ser destinado ao Oscar em fevereiro proximo. 

ImagemRefn inspira uma sensação profunda de saudade, amor, choque e pavor, que faz desse filme uma obra interessantissima. “Drive” é centrado nas consequências das escolhas feitas por criminosos e o estado profundamente meditativo da vida que pode vir a ser um reflexo dos crimes que cometemos ao longo dos anos. Achei o filme uma jóia, principalmente o personagem “Driver” (Gosling), um mecânico de automóveis, dublê de Hollywood e piloto de automóveis em potencial de ações que ocasionalmente faz bicos como motorista de fuga criminal. Gosling cria um personagem que é calmo sob pressão, metódico, concentrado , confiável e, claro, um grande motorista. Ele evoca o espírito de cowboy-solitário de Clint Eastwood, e a intensidade de Steve McQueen. Suas escolhas o assombram e, finalmente, o colocam em uma posição onde ele deve buscar a redenção diante do mal que corrompeu o único bem em sua vida.

Num mundo cheio de dor e miséria, o “motorista” de fala mansa que, encontra um grande vázio na vida da sua vizinha, Irene (Carey Mulligan), a quem ele abriga um amor a distância. Quando ele consegue insinuar-se, é instantaneamente encantado com o afeto de Irene, mas logo sofre com a presença de Standard (Oscar Isaac) marido da sua amada, que sai da prisão!. O mais interessante é que em vez de lutar  por sua felicidade, “Driver” tenta ajudar Standard a dar um futuro melhor para Irene e ao filho do casal. Em uma fuga criminal, onde Standard está envolvido, termina em tragédia, deixando “Driver” numa situação onde suas intenções pesa diante da consequência de sua escolha.

Imagem“dDirigido numa estética neo- noir, numa mistura inebriante de tom de cores, ângulos interessantes e ideais naturalistas- brilhante trabalho do diretor Refn e o seu fotografo Newton Thomas Sigel-, “Drive” ainda tem outros grandes triunfos, principalemente na trilha sonora de Cliff Martinez, a qual tem um valor indispensável para a narrativa do filme. O elenco é muito bom, com destaque para Gosling e um irreconhecivel Albert Books, que interpreta o vilão.

 Nota 8.5

 

Jane Eyre ( 2011)

Dezembro 18, 2011

Imagem Frio e isolado é a melhor maneira de descrever o romance gótico dirigido pelo talentosissimo Cary Fukunaga, que é baseado no clássico de Charlotte Brontë. Nunca li a obra de Brontë, e por tal me falta familiaridade com sua prosa, mas é muito fácil de reconhecer o quando a roteirista Moira Buffini pegou emprestado do livro. Fácil ficar impressionado com aqueles momentos em que as palavras não são necessárias para expressar o que os personagens estão sentindo, graças em parte pela atuações dos atores principais.

 

ImagemCreio que haja mais de 20 adaptações do livro de Bronte entre filmes, e series de TV. Independentemente disso, Jane Eyre é excelente – certamente, a melhor adaptação de um romance do século 19, deste “Orgulho e Preconceito” (2005) de Joe Wright. Outra coisa muito boa nessa nova adaptação é a parte visual do filme. Filmado em grande parte em luz natural pelo fotografo brasileiro Adriano Goldman, Jane Eyre ganha uma atmosfera densa. Os mouros são inundados com nevoeiros – coisa que poucos encontrarão em filmes de terror-, e  que provavelmente nem mesmo na narrative de Brontë.

ImagemNos breves vislumbres de sua infância tumultuada, a Jane Eyre de Mia Wasikowska é timida, mas tem um equilíbrio perfeito de força.  Se torna governanta na Thornfield Hall, onde cuida de uma jovem francesa e, finalmente, se apaixona por seu patrão, Edward Rochester Fairfax (Michael Fassbender). Fassbender e Wasikowska estão maravilhosamente perfeitos – almas de seus personagens solitários e isolados, eles alimentam a linha da história inicialmente vista como desesperados. 

O filme, no entanto, não está livre de falhas. Por example, o uso de flashbacks – embora a história se junte muito bem, parecem de forma ocasionalmente abruptos. E, tambem a personagem vivida por Jamie Bell, é bastante vaga!.

Mesmo assim, esse é um filme que vale a pena ser visto!. Os figurinos são lindos, a suave e tocante trilha sonora escrita por Mario Marinelli é bem “emoldurada” pela espetacular fotografia de Goldman.

 Nota: 8

Inception (2010)

Julho 17, 2010

Edgar Allan Poe uma vez disse: “Tudo o que vemos ou que parece que vemos é mais do que um sonho dentro de um sonho.” Talvez essa foi a idéia de Chris Nolan quando escreveu o seu mais recente filme. Mas, “Inception” é cerebral? Sim. É cerebral demais para o público em massa? Eu diria que não é o caso. “Inception”, nos coloca dentro de um filme de ação / de aventura, que o torno aberto para “todos”, apesar dos seus 148 minutos – um pouco longo demais para algo tão simplista. Aqueles dispostos a pensar no “quebra-cabeças”, não encontrarão tantas reviravoltas da narrativa como o filme parece sugerir inicialmente.

Estava de férias, e fui ao cinema por causa de DiCaprio, pois, não sou fã do Chris Nolan. “Memento” foi um grande filme, mas não assistiria outra vez. O remake do filme noruegues “ Insomnia” foi tedioso. Não achei “The Prestige” um bom filme, e “The Dark Knight” (é chato, e longo!), mas achei o “Batman Begins” interessante. “Inception” lida com um tem interessante: fala dos sonhos. E, creio eu que a relação entre o cinema e os sonhos sempre foi – para usar uma expressão da psicanálise – sobredeterminado. Freud que trabalhou com a ” Interpretação dos Sonhos”, parecia replicar o mistério, e o cinema trouxe a imagem de tomada do poder da mente, bem como ainda a fotografia tinha nas décadas anteriores. Mas “Inception” é uma obra prima? Diria que há muitas razões para se gostar do filme, mas há razões acha-lo um tedio.

Por muitos momentos, “Inception” é uma obra confusa, mas isso pode ser um indicativo para pessoas irem ao cinema (roteiros que apresentam ambiguidade e enredos que percorrem por trilhas que exigem que o expectador pense e se envolva, sempre encontra fãs). “Borrando” as linhas entre realidade e fantasia, o roteirista / diretor Chris Nolan foi meticulosamente criativo. Faz o impossível, o impensável, o estupendo: ele prega uma versão espelho de Paris de volta sobre si mesmo; encena uma seqüência de luta em um quarto de hotel (gravidade zero); envia um trem de lavoura por meio de uma rua movimentada da cidade. Tudo o que você pode sonhar, Nolan faz em “Inception”. Faz dos pequenos sonhos em sonhos ainda maiores, e os maiores sonhos em sonhos gigantescos. Me pareceu que o principal objetivo de Nolan – pelo menos até o final do filme- não é enroscar com a percepção do espectador, mas proporcionar clareza suficiente para que nós sabemos onde estamos e o que estamos vendo.

Mas fiquei bastante confuso com a genialidade do director. O filme comeca com Cobb (DiCaprio) numa praia e depois, ele é levado para um lugar – misteriosamente, há duas criancinhas loiras ao redor, embora não possamos ver seus rostos. Depois, alguns soldados japoneses arrastam DiCaprio. Ele se senta em uma mesa, em frente a um velho misterioso, e começa a comer mingau. No momento seguinte, aprendemos que o personagem de DiCaprio é um “extrator “- um artesão que pode entrar nos sonhos dos outros para extrair informações valiosas. Na verdade, ele tem a capacidade de inserir os sonhos dos outros- ele constrói os sonhos, com a ajuda de Arthur (Gordon-Levitt), além de um arquiteto, que no início do filme é interpretado, muito brevemente, por Lukas Haas). Depois, Cobb encontra um novo arquiteto: uma jovem estudante chamada Ariadne (Ellen Page, achei que foi mal escalada para o papel. Page parece muito infantil para o papel, além dos dialogos que saem da bola dela, soam superficiais!). Ariadne sente que Cobb tem um doloroso segredo enterrado no porão de seu subconsciente. (Mais tarde, Nolan vai nos mostrar um elevador real caindo para reforçar a metáfora.). O segredo de Cobb é relacionada as duas criancas loiras que continuamos  a ver em seu subconsciente e sua esposa Mal (Marion Cotillard, linda, mas agraciada com um presente de grego dado por Nolan. Mal literalmente é um papel pequeno e mal deselvolvido. Nolan recorre aos dialogos alheios para nos ajudar a entender o personagem: Cobb diz:  “Eu espero que você não esteja muito chocada ao saber que ela (Mal) tinha sido tratada por três psicólogos diferentes.” Mal é uma projeção do subconsciente dele e esse aspecto me fez lembrar do marido atormentado e tão brilhantemente interpretado por DiCaprio no excelente “Shutter Island.”

Mantendo as coisas na maior parte linear, Nolan não permite a possibilidade do roteiro se transformar em algo obvio, embora seja facil encontrar em “Inception” influências que incluem, obviamente, “Dark City” e “The Matrix.” Há também um sentimento de parentesco com o recente filme de Martin Scorsese, “Shutter Island”, não só porque esse filme é também estrelado por DiCaprio, mas porque ambas as produções brincam com a perspectiva de narrador e da intersecção de ilusão com realidade. Mas a segunda metade do filme é de uma seqüência de massa, cuidadosamente coreografado de suspense crescente que as circunstâncias perigosas se desdobram em três níveis de sonho.

Mas as cenas dos sonhos dentro dos sonhos são difíceis de seguir porque achei que não temos a idéia onde se inicia um e termina o outro. Sim, os efeitos especiais em “Inception” servem aos sonhos, mas para quê? Achei que os efeitos dão ênfase aos telespectadores como diversão visual assim como Peter Jackson usou os efeitos em “The lovely bones” e Vincent Ward ilustrou o belo “What dream may come.” Não que o enredo ficou em segundo plano nesses filmes, mas os efeitos foram tão grandiosos que roubaram a atencão do que foi proposto.  “Inception” fica mais proximo desses filmes que mencionei do que filmes como TRÊS MULHERES  de Altman, ou MULHOLLAND DRIVE de Lynch – para citar apenas dois como filmes que são mais lembrados como se fossem sonhos. Ah, 2001: Uma Odisséia no Espaço consegue isso também, mas de forma inesperada. Em “Inception”, o sonho é compartilhado pelos personagens, uns com os outros e com nós. Os fantasmas que eles oferecem estão lá para suspender a nossa incredulidade, mas também temos que manter o equilíbrio – a ser (na tradição de mistério e suspense), não tanto como sonhadores analistas.

Se falar do elenco, posso dizer que apesar de bom ator que é, DiCaprio, não passa a confiança com a mesma força do que ele fez no recente “Shutter Island” (em que ele também desempenhou um viúvo à mercê de visões escuras). Gordon-Levitt aparece como uma figura vistosa, mas o seu papel não exige tanto do talento do ator. Ellen Page foi um furo, e Cotillard foi uma invenção da minha imaginação, assim como o filme. Ken Watanabe é um maravilhoso ator, mas achei dificil de entender o personagem dele, Cillian Murphy, fantastico ator, mas numa papel pequeno, Michael Caine, apenas aparece em 4 cenas.

Filmado em quatro continentes, Wally Pfister faz um belo trabalho de fotografia, ajudado pelo trabalho de direcão é de arte. E, Hans Zimmer adciona uma interessante trilha sonora. Ah, a cancao de Edith Piaf “Non, rien regrette je ne” é usada como ponto da narrativa( configura como uma brincadeira agradável, ja que Cotillard viveu a cantora no cinema). Mesmo com tantas qualidades, não achei “Inception” um filme digno de ser revisto para se poder compreender a proposta de Nolan.

“Brilho de uma Paixão”(2009)

Abril 24, 2010

Estava danda uma olhada no website(http://www.interfilmes.com/embreve.html), e tive um susto ao saber que “Bright Star” (Brilho de uma Paixão), apenas vai estrear no Brasil, em 18/06/2010. Vi esse filme em setembro de 2009, mas diante de uma falta de ‘lobby’ nas premiações deste ano, a nova produção de Jane Campion vai chegar bem ‘tarde’ nos cinemas do Brasil.

Muitas das imagens externas em “Brilho de uma Paixão” são lindas e isso vem do resultado do talento das lentes de Greig Fraser e do auxilio da trilha mágica escrita por Mark Bradshaw, o qual tem colaborado com Campion em dois dos curtas metragem dela (The Lady Bug e The Water Diary). As faixas da trilha sonora são lindas e suaves chegando ao fundo do coração das pessoas mais sensíveis. Assim como a produção de arte e os figurinos abrangentes de exatidão.

A trama do filme vai fundo na tristeza vivido pelos personagens principais. O enredo, na verdade não acrescenta nada de original, pois “poetas românticos morrem romanticamente jovens.” Campion explora as agonias do amor de Keats e de sua musa Fanny Brawne.

Sou um grande admirador do trabalho de John Keats, mas quem não gosta e nunca leu o poeta inglês vai se sensibilizar com as vozes dos atores recitando alguns dos trabalhos dele, os quais são adcionados a musica de Bradshaw, por example, o soneto “Bright Star” que dá ao filme é interpretado por Abbie Cornish, tendo o som sensível de um violino ao fundo. Não consegui conter as lágrimas!

Cornish me fez lembrar Nicole Kidman. Linda, encantadora e muito boa atriz. A atuação dela como a musa de Keats é um dos pontos altos do filme, e fiquei feliz de não ter chamado a Keira Knightley para fazer esse papel. Knightley pode ser até bonitinha, mas ainda não encontrei nela um talento tão extraordinário assim. Ben Whishaw com seus cabelos cacheados, pele pálida, e um olhar sonhador, foi outra escolha perfeita para viver Keats, e também é muito bom ator! A presença dos dois na tela é um das aqueles caso de amor que a gente torce para um final feliz, mas não dá para mudar o passado. Também, Paul Schneider brilha como Charles Brown, o amigo de Keats. Campion sugere no seu roteiro que os dois eram mais do que amigos (algo sexual entre eles? Fica apenas a nuance!). Num triângulo claustrofóbico, a diretora apresenta uma amizade platônico e parceiria nas criações dos poemas e cartas. E, também Brown ressentia a presença de Fanny e suas reivindicações sobre o tempo e o amor de Keats. Porem, foi por causa dos meios financeiros que impediram a união entre Keats e Fanny, mas eles se tornam mais e mais envolvidas de qualquer maneira.

Sem levar para uma comparação com os trabalhos anteriores de Jane Campion, pois gosto muito de “O Piano”, e “O Retrato de uma Mulher”, onde ela tomou vôos de imaginação visuais mais surpreendentes do que um drama apenas convencional baseando na obra Henry James. O “Brilho de Uma Paixão” mesmo poeticamente emocionate se tornou menos envolvente, no meu ponto de vista, por causa da edição de Alexandre de Franceschi. Não sei se foi por razão da projeção num cinema de arte aqui nos Estados Unidos, onde as salas são tão medianas quantos as salas no Brasil, mas a impressão que ficou foi que não há uma ligação das seqüências. Tecnicamente, a continuidade em “Brilho de uma Paixão” é prejudicada por jumps que não conecta “cenas por cenas”, comprometendo a narrativa.

Criador da teoria da “capacidade negativa” onde destaca que o homem é capaz de ser incerto, e de trazer mistérios, dúvidas, sem concluir o fato e a razão para tal sentimentos, Keats como poeta romantico, acreditava que as pessoas têm a capacidade de aceitar que nem tudo pode ser resolvido, isto é a capacidade de contemplar o mundo sem o desejo de tentar reconciliar os aspectos contraditórios ou se encaixar em sistemas fechados e racionais como numa cena vemos Keats (Whishaw) comparando poesia como um mergulho em um lago, o qual pode ser ouvido na linda faixa de Bradshaw, “Negative capability:”

“Poem needs understanding to the senses. The point of diving in a lake is not immediately to swim to the shore but to be in a lake; to luxuriate the sensation of water; did not to work the lake out, it is the experience beyond thoughts…”

A experiência em “Brilho de uma Paixão” pode ter sua fragilidade, mas é injusto de ver que um filme como esse vai chegar aos cinemas do Brasil apenas em junho, prejudicado por um mal hábito que os distribuidores tem de lançar filmes de arte apenas lembrados no Oscar. Torci muito por Abbie Cornish ser pelo menos ser nomeada como atriz do ano assim como da trilha sonora, mas apenas o figurino entrou na disputa do Oscar.

Vidas que se Cruzam (2009)

Abril 24, 2010

Confusão encharcada  é um ponto forte do escritor Guillermo Arriaga, roteirista mexicano responsável por “Amores Perros” (um filme muito bom, mas encanta menos pelo fato das visões repetidas, no meu ponto de vista); “Babel” ( uma bagunça, de cima para baixo que os críticos elogiaram, e que não entendi a razão) e, “21 Gramas” (apesar de uma certa dificuldade para descobrir o que está acontecendo, a trama é mais compreensível. Até o final, a história acaba por ser bastante simples). O mais recente roteiro de Arriaga serviu para sua estréia como diretor. “The Burning Plain” foi batizado no Brasil como “Vidas que se Cruzam” em vez de uma versão mais literal “A Planície em Chamas”, e menos óbvia a trama de Arriaga.

“Vidas que se Cruzam” conta a vida de Gina (Kim Basinger, sensível e lindíssima!), que tem um caso extraconjugal com um trabalhador mexicano Nick (Joaquim de Almeida, bom ator num papel mal desenvolvido!). Numa cena (talvez para muitos seja desnecessaria, ficamos a saber que Gina teve uma mastectomia sem cirurgia reconstrutiva). Sua necessidade pelo amor de Nick me pareceu muito mais de um caso do que com uma insatisfação sexual com o marido. A vida com Nick parece seguir votos de um matrimônio. E, Basinger se saiu muito bem atraves do olhar, e da voz mansa, e da falta de choro!

A filha de Gina, Mariana (Jennifer Lawrence), descobre sobre o affair. A garota decide queimar o trailer enquanto a mãe e o mexicano estão lá dentro. O destino de Mariana é digno de uma tragédia grega. Ela tem um caso com Santiago, o filho de Nick, o que resulta no nascimento de uma filha, que Mariana abandona no México.

Ao mesmo tempo, o filme narra o drama de Sylvia (Charlize Theron). Ela é bela, elegante e promíscua, mas se odeia e se auto-mutila. Sylvia trabalha num restaurante elegante, o que lhe mascara o seu tumultuado interior e lhe ajuda a fugir do seu passado. Em seguida, ficamos a saber que tem um sujeito chamado Carlos (José Maria Yazpik), que “misteriosamente” a persegue.

O conto  de multicamadas relaciona o modo como os jovens Santiago e Mariana embarcaram em uma relação proibida, que agora podia soletrar o problema e colocar todas as partes envolvidas em rota de colisão. Se as coisas não estão confusas o suficiente, a narrativa apresenta, Santiago, crescido (Danny Pino) agora com uma filha de 12 anos, Maria (Tessa Ia). Santiago funciona como um pulverizador com seu amigo, o mesmo Carlos que estava seguindo Sylvia em Oregon.

As vidas dos personagens são interdependentes. Seus destinos estão entrelaçados, mas quem mais me marcou foi a comovente interpretação de Theron. A força e profunidade que ela dá a Sylvia demonstra uma veracidade a personsagem que Arriaga não consiguiu dos outros atores. Sylvia mantem um comportamento depressivo, onde possui uma intensa obsessão com o sexo, enfrentando dificuldades de se envolver em relacionamentos pessoais saudáveis. Com pensamentos suicidas, mas sem o exagero da mulher louca de “Antichristo” de Lars Von Trier. O mundo de Sylvia vira de cabeça para baixo. Ela luta contra a dor do passado, e  cada olhar e palavras que saem de Theron, eu senti uma verdade, que não vi em muitos dos personagens femininos em filmes feitos em 2009. Theron sutilmente brilha na pele de Sylvia.

“Vidas que se Cruzam” foi um fracasso de público, mas a crítica foi relativamente positiva, mas não salvou o filme. De um modo geral, é mais uma boa produção, que vale ser vista pela magistral Charlize Theron (uma injustiça não terem dado a ela uma chance no Oscar 2010).

“Burma VJ – Reporting From a Closed Country” (2009)

Abril 23, 2010

O documentário “Burma VJ – Reporting From a Closed Country” (2009), comemora a coragem da Voz Democrática de Burma (DVB), um grupo de jornalistas que arriscaram suas vidas para documentar a revolta de 2007 contra a junta militar. Filmado por membros da DVB, as cenas foram contrabandeadas para o exterior, transformado em um estúdio em Oslo, transmitido em todo o mundo e – significativamente – mostrando o povo da Birmânia (rebatizada Myanmar pela junta em 1989).

Narrado por “Joshua”, uma figura do DVB, que é visto apenas na sombra para proteger seu anonimato. O filme começa com uma recapitulação rápida dos conturbados últimos 20 anos na Birmânia. Em 1995, O director John Boorman fez “Muito além de Rangun”- filme mediando, que ajudou a elevar a atenção do mundo sobre a “tragédia” invisível: os massacres de 1988 e da crueldade dos governantes militares da Birmânia.  Em “Burma VJ”,  imagens feitas por Joshua e seus colegas mostra como milhares de pessoas tomaram as ruas de Rangum em 2007 para protestar contra a falta de democracia. Muitos levantaram-se em protesto contra o governo pela súbita de preços da gasolina. Essas manifestações públicas foram espontâneas e dispersas. Mas, quando os monges birmaneses, considerados sacrossantos na cultura do país – se juntou às fileiras crescentes, o conflito foi elaborado de forma mais acentuada.

Morei e trabalhei em Mae Sot, onde é a principal porta de entrada por terra entre a Tailândia e a Birmânia. A cidade também ganhou notoriedade por seu comércio de pedras preciosas bem como os serviços no mercado negro, como o tráfico de pessoas e drogas. Com uma população considerável de refugiados birmaneses em campos de refugiados ou no centro da cidade, onde imigrantes ilegais vivem assustados com os violentos policiais Tailandeses. Me sintia como estivesse entre a fronteira entre o Mexico e os Estados Unidos. Trabalhava perto da ponte da amizade, e via diariamente, birmaneses cruzando o Rio Moei para virem trabalhar de modo quase escravo no lado Tailandes. Era uma cena triste, que me feria muito. E, como tinha amigos na Birmânia, visitei o país e me apaixonei!

Em Mae Sot, conheci vários jornalistas, membros do DVB e por eles, aprendi sobre a Birmânia e sobre os protestos mais conhecido como “ Revolta de 8888” – referente a data 8 de agosto de 1988. Desde 1962, o país era governado pelo regime socialista como um estado de partido único, liderado pelo general Ne Win. O Caminho para o socialismo virou a Birmânia em um dos países mais pobres do mundo. Em 8.8.88, estudante se espalharam por todo o país. Centenas de milhares de monges, crianças, estudantes universitários, donas de casa, e os médicos manifestaram-se contra o regime. A revolta terminou em 18 de setembro do mesmo ano, com um sangrento golpe militar.  Milhares de mortes foram atribuídas aos militares durante a revolta. No filme “Burma VJ”,  se fala que 3,000 pessoas foram mortas, enquanto as autoridades birmanesas afirmaram que o número foi em cerca de 350 pessoas mortas.

Durante a crise, Aung San Suu Kyi (Prémio Nobel da Paz), emergiu como um ícone nacional. No filme “Muito além de Rangun”, se tem uma idéia da importância dela para os birmaneses.  Quando a junta militar organizou a eleição de 1990, o partido de Suu Kyi, a Liga Nacional pela Democracia, venceu. No entanto, a junta militar se recusou a reconhecer os resultados e a colocou sob prisão domiciliar. Durante o lançamento de “Muito além de Rangun”, o filme teve um impacto além das telas de cinema. Apenas algumas semanas em sua temporada europeia, a junta militar birmanesa libertou Suu Kyi (retratada no filme), após 6 anos sob prisão domiciliar.

“Burma VJ” apresenta uma visão momentânea, granulada de Aung San Suu Kyi. Lá está ela, na porta da casa, sua prisão desde 1989. Ela expressa solidariedade para com os manifestantes que marcham para a sua casa. É uma cena comovente, e chorei muito porque convivi com muitos dos membros do DVB, e sei como a figura de Suu Kyi é impactante para vida do povo birmanes.

As cenas quando Joshua fala ao telefone com outros repórteres sobre o que está acontecendo nas ruas da Birmânia, e os negócios pragmáticos de começar suas filmagens enviados para o escritório norueguês, me pareceu que estava no roteiro e encenada por Helmer Ostergaard. Este material me pareceu convincente de uma peça com o filme real. E, certamente ajuda a preencher as lacunas, embora alguns possam se queixar que prejudica o status de um documento jornalístico de fato.

Muito das imagens parecem um pouco descuidadas em relação com o trabalho de jornalistas profissionais, mas o fato de que essas pessoas se atreveram a qualquer coisa é heróico. Joshua é o único elemento do filme, que seja visto como ficção. O personagem composta a intenção de representar todas as pessoas anônimas que arriscaram e arriscam suas vidas para manter seu governo moralmente responsável, e que personalmente me fez lembrar dos vários membros do DVB que conheci.

Desde que deixei a Tailândia, eu tenho acompanhado todos os acontecimentos na Birmânia. Ao assitir “Burma VJ”, vejo o papel desse documentário como uma mudança de paradigma no modo como a história é escrita. Os cidadãos já não precisam de contar suas histórias tristes para seus filhos e netos durante uma geração. Eles podem informar o mundo imediatamente como a narrativa e a luta da guerrilha Birmanesa fez com uma camera na mão como um instrumento para não manter o seu país ainda fechado para o mundo. Triste é saber que milhares de birmaneses nascidos nos campos de refugiados na Tailândia, continuam desnacionalizados, não são nem Tailândeses nem Birmâneses. Não sei se “Burma VJ” já chegou em terras brasileiras, mas se o pessoal do blog quiser se envolver com a causa, visite: http://www.burmavjmovie.com.

Indicado ao Oscar de melhor documentário em 2010.

Dirigido por Anders Ostergaard
Escrito porAnders Ostergaard, Jan Krogsgaard
Editado por Janus Billeskov Jansen, Thomas Papapetros

Zona Verde (2010)

Março 29, 2010

O título do filme “Green Zone” é o nome dado a zona internacional do Iraque- uma zona que cobre 10 quilômetros quadrado no centro de Bagdá, e que era o centro da Autoridade Provisória da Coligação e continua a ser o centro da presença internacional na cidade.

O filme de Peter Greengras, Zona Verde é “inspirado” no livro “Imperial Life in the Emerald City: Inside Iraq’s Green Zone”. Embora comercializado como um filme de ação em alguns trailers, é mais um thriller de guerra. Greengrass não tem medo de descer o discurso político, mas dizer que o filme é muito político seria um eufemismo. Pode ser um dos melhores filmes que retratam a era George W. Bush e a questionável invasão, em relação a guerra do Iraque que já vi.

Na verdade, Greengrass narra o filme numa tonelada de câmeras trêmulas e seqüências de ação intensa. Saí da sala de cinema com minha cabeça doendo devido ao uso excessivo!. Além disso, foi duro manter os olhos abertos durante toda a projeção- a tensão foi tanta que me deixou a impressão que se eu piscasse muito, perderia importantes detalhes do filme. Tive a mesma sensação quando assisti o brilhante e tenso “United 93.” Pessoalmente, acho difícil se concentrar nesse tipo de narrativa. Em Zona Verde, o método apura um realismo de estar em uma zona de guerra- e, isso se deve ao naturalismo, e o estilo neo-realista do fotografo Barry Ackroyd- que deveria ter ganho o Oscar deste ano pelo maravilhoso drama “The Hurt Locker.”

Matt Damon é o subtenente Roy Miller. Sua equipe está no Iraque, na tentativa de encontrar armas de destruição em massa. Apesar das informações de seus superiores sobre uma fonte confiável, Millher começa a questionar a confiabilidade das informações, e começa uma busca para descobrir o que está acontecendo, de verdade. Damon é eficaz, mas o seu Miller é uma versão de Jason Bourne, mas sem crise de identidade e memória. O personagem vai contra o governo para completar a sua missão, e fica a impressao que a escolha do ator para esse papel não foi uma das melhores- pelo menos, no meu simples ponto de vista!. Brendan Gleeson faz um membro da CIA& que quer descobrir as armas de destruição maciça; Greg Kinnear (nada inspirado!) desempenha um consultor do Pentágono, que parece um pouco obscuro; Khalid Abdalla vive um tradutor iraquiano que deseja ajudar seu país. O conflito moral que ele imprime é parte de destaque no filme. E, quase todos no elenco de apoio é crível!

Particularmente, os diálogos entre os personagens soam artificiais, principalmente entre Roy Miller e a jornalista do Wall Street Journal (interpretada por Amy Ryan). Tudo é forçado. Ela está lá para tentar quebrar notícias sobre o envolvimento militar e encontrar as armas de destruição maciça, mas tudo o que ela diz para Miller, parece ter saido de qualquer filme. É meio difícil de explicar por escrito, mas quando eu estava assistindo o filme, pensava no roteiro mais próximo da linha da história, e não senti que a personagem de Ryan fizesse parte da trama. Uma personagem deslocada, que me pareceu saida direto do hospital psiquiátrico de “Changeling” (2008)- na qual, Ryan faz o papel de uma mulher presa e se torna amiga da personagel da Angelina julie.

As cenas de ação são muito boas de assistir e os últimos vinte minutos do filme, temos uma seqüência de perseguição muito interessante, mas o caos é muito alto, de tiros esporádicos, vários veículos e, especialmente, do povo. A agressão sonora, de certa forma, compromete Zona Verde em muitos momentos e sinceramente, posso garantir: não tem ouvido que aguente!.

Devido à natureza do filme, aqueles com fortes opiniões políticas podem não gostar, é tanto que filme de Greengrass não recebeu atenção do publico norte americano.